Incômodos

Poucas coisas me incomodam mais do que uma crítica a partir de uma impressão pessoal que não gera um feedback para melhorar o objeto criticado.

Sei lá, é coisa minha — e de alguns com quem ando, aparentemente — querer ser, de alguma forma, um pouco melhor a cada dia que passa, seja em conhecimentos, em comportamentos, em atitudes ou em interações. Soa estranho quando alguém não quer se tornar, de alguma forma, alguém melhor do que era no dia anterior.

Soa como se fosse cômodo ser quem se é.

Sentir-se confortável em si mesmo é algo que se busca mas, ao mesmo tempo, não é lá muito humano, já que a humanidade cresceu e se desenvolveu buscando satisfação e conforto — feliz ou infelizmente, por causa dos meios para o fim… — e que gera novos desconfortos e buscas.

Somos uma raça de incômodos, não de confortos.
E isso deveria incomodar, e muito, as pessoas. Nossos incômodos aparecem quando ficamos bravos com alguma atitude percebida como errada (como se fôssemos juízes de retidão, né?), quando percebemos uma demora em algo que deveria ser rápido (sem observar que a demora pode nem ser no agente, mas na tecnologia envolvida, por exemplo. Por sinal, achar que tudo deveria ser rápido não causa incômodo?), quando algo nos causa ansiedade (o incômodo moderno mais comum), etc…

Incômodos, enfim, servem pra propelir pessoas adiante, para que sejam, tornem-se, façam coisas melhores. O problema começa quando os incômodos tornam-se confortáveis e/ou paralisantes.

QUÊ?!?!!? TEM GENTE QUE SE ACOMODA NO QUE INCOMODA?!?!?!?

Tem, e bastante gente.

Eu não sou vidente, não sou gênio social, não sou um monte de coisa — mas, acima de tudo, eu não sou uma pessoa que fala (ou faz) as coisas pela metade. Não gosto de retrabalho, não falo nada que não tenha alguma continuação — gerar diálogo, sabe? Aquele treco que muita gente esqueceu como faz racionalmente e só faz sem pensar?

Pois é. E isso incomoda muita gente, seja por não serem como eu e acharem estranho, por terem a impressão de que perdem tempo ou, simplesmente, por não acharem que isso que faço não é, de alguma forma, útil para eles. Já ouvi até gente falando que não sou assertivo. (Mas, espera: assertividade não é, justamente, expressar as coisas de forma completa, objetiva e que o outro entenda? Ah, mas o termo tem outros sentidos, e isso dá margem pra outro texto…)

Aí eu fico confuso: se eu tenho de ser minimamente telepata pra falar com o outro sobre algo que ele quer falar e transmitir pra ele aquilo que ele quer ouvir, isso continua sendo um diálogo ou é um monólogo com dois interlocutores? Se eu PRECISO falar ou fazer algo do jeito que o outro quer — e apenas do jeito dele — isso não vai apenas trocar um incômodo por outro?

(talvez por isso eu seja um vendedor tão ruim, hahahahaha!)

É aí onde, idealmente, entraria a crítica — ou o feedback, se preferir — de forma a revelar o que incomoda e o que se pode fazer/construir para minimizar ou eliminar o incômodo (comunicacional, por enquanto, ainda que dê pra usar a estrutura pra outras coisas) e construir um jeito de mudar o comportamento. É assim que a gente ajuda outros a avançarem e tornarem-se pessoas melhores. Se não quer falar, tudo bem, mas não critique se não for capaz de ajudar no processo de melhoria. Só se corrige um erro quando se sabe qual é o comportamento correto OU, NO MÍNIMO, onde o comportamento está errado.

Mas, né… Tem gente que gosta de ficar incomodado…

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